segunda-feira, 1 de março de 2010

Reciclar lixo ajuda a criar emprego

Selecionar materiais recicláveis pode dar uma nova oportunidade a quem precisa de trabalho

Por Alexandre Lourenção

Aderir ao simples gesto de separar materiais orgânicos dos recicláveis pode contribuir, e muito, com a chance de faturar uma renda no final do mês àquelas pessoas que estão sem algum tipo de trabalho. Tudo porque há uma quantidade muito grande de materiais que são descartados diariamente pelas residências.
Em Marília, por exemplo, cada habitante gera aproximadamente um quilo de lixo por dia. No Brasil, cada pessoa forma entre ½ e 1 quilo diários, dependendo do tamanho da cidade. Para se ter uma comparação, nas principais cidades dos EUA, este número atinge apenas 0,3 kg diários por habitante.
Muito pouco é feito por falta de infraestrutura, como a implantação de usinas de reciclagem ou outras tecnologias de aproveitamento dos resíduos. Além disso, a existência de espaço nas periferias e nas áreas de entorno adiam as prováveis soluções.
O Jornal da Manhã tirou as principais dúvidas sobre os métodos corretos para a reciclagem do lixo com o secretário municipal do Meio Ambiente, Mário Cezar Vieira Marques. Ele disse que aqui em Marília, o problema já começou a ser resolvido com a regularização e controle do aterro municipal, problema herdado de gestões públicas anteriores, que deixaram a cidade numa situação negativa perante os órgãos que controlam o meio ambiente. Para se ter uma idéia, Marília apresentou nota 2 no ano de 2005 e hoje alcançou nota 8, conta o secretário.
Marques acredita que esta situação tende a mudar e ser mais eficiente quando for implantada a coleta seletiva na cidade. “Logo, estaremos encaminhando a solução para apreciação do Poder Executivo. Há algum tempo, são feitos vários projetos educativos nas escolas, empresas e instituições, pois entendemos que ajudar a reduzir o volume de material coletado, irá diminuir os custos da Prefeitura nesta atividade e seria possível usar os recursos em outras prioridades da população”, comenta.
O secretário alega que diante das dificuldades sociais que os brasileiros enfrentam, separar os materiais recicláveis e entregar em cooperativas ou a autônomos que passam pelas ruas, é uma ação social muito importante, além de ambientalmente inteligente. “Temos que fazer de tudo para mudar, a médio e longo prazos, essa questão. De um lado, estão pessoas que precisam trabalhar e, do outro, materiais de valor sendo descartados e excluídos do processo produtivo”. Marques explica ainda que existe um valor determinado pelo mercado de reciclagem e que deve ser agregado à economia local. “Com isso, impostos serão recolhidos e empregos serão criados. Se o cidadão aprende esses conceitos, todos ganham. Até o meio ambiente”. Mas até lá, ele argumenta que é muito simples e fácil reciclar dentro de casa ou na empresa. O ideal é que as pessoas dividam o lixo em duas partes: o lixo úmido (que são as cascas de frutas e legumes, restos de preparos da cozinha, incluindo papel higiênico, entre outros) do lixo seco (que são todas as embalagens, metais, plásticos, vidros e papéis), fazendo sempre, uma rápida lavagem, para evitar o mau cheiro pela decomposição da matéria orgânica e também, para não atrair bichos e insetos, que podem trazer algum tipo de doença para as pessoas.
A divulgação destas recomendações entre amigos, familiares, vizinhos e no trabalho, é de extrema importância para a natureza e fundamental para a existência da humanidade. “Vale a pena pensar nas pessoas e nos empregos que podemos ajudar a criar. São as pequenas mudanças nos nossos hábitos que vão melhorar a nossa própria qualidade de vida”, justifica Marques.
A empregada doméstica Wanda Galindo, que trabalha há alguns anos como diarista, disse que aprendeu recentemente com o patrão, que misturar todo o lixo não ajuda a quem depende da reciclagem para sustentar a família. “É uma oportunidade de trabalho que deve ser valorizada por todos nós, além de contribuir de forma correta com o meio ambiente” . Wanda agora, separa todos os dias, os materiais não orgânicos num cesto de lixo grande e, quando cheio, entrega ao coletor ou para a cooperativa habilitada.”Uma simples conversa foi o suficiente para a minha conscientização”, exemplifica.

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